Entramos na era dos factóides. Em uma única só voz a solução da engrenagem carcomida pela falta de vergonha foi encontrada: A PREVIDÊNCIA – a aposentadoria dos miseráveis. Pouco se fala da corrupção na Previdência. Pouco ou nada se fala dos grandes devedores! Pouco ou nada se fala das aposentadorias nababescas realizadas no apagar das luzes; entretanto tudo se fala da expectativa de vida do brasileiro: 70 a 75 anos! É triste como uma estrutura sem forma e rosto, incapaz de compreender a estrutura de poder cultural, que nasceu nos seios de governos incompetentes continua sobrevivendo entre os escombros dos excluídos. O Brasil por meio de sua absurda e devastadora concentração de renda, tem construído ao longo da história castas de deserdados. Castas e castas. Histórias são contadas… Apenas contadas para dar legitimidade a uma República que nasceu de um golpe. Uma República constituída pelos letrados do século XIX. A República nasceu do ódio dos latifundiários que perderam o seu principal patrimônio: os negros alforriados pelas mãos da Princesa. A mesma caneta que libertou a força negra de trabalho, também retirou o trono do Imperador. Latifundiários que apenas tinham o Brasil como meio de enriquecimento – espírito de gafanhotos. A visão extrativista de nossas elites empresariais sempre colocou o país no submundo da ilegalidade. Pouco ou quase nada podemos comemorar, ainda. Estamos vivenciando um populismo surreal, onde as soluções que se apresentam são artificiais. A solução não é imediata, porque dependemos da transformação da consciência e da cultura – 50 anos pelo menos. Contudo, precisamos continuar lutando e construindo um país que desejamos. O messianismo é um atraso e uma disfunção. O Estado é pesado e incompetente, como não bastasse é corrupto. Tenho medo de viver em um país onde os homens de bem se afastam da política. Qual é a solução? Valores construídos ao longo da história! Consciência política e social e, claro, menos hipocrisia! Até quando iremos pagar aos nossos políticos 3 bilhões para o financiamento das eleições? Até quando o povo brasileiro vai ser subserviente de um modelo excludente e medíocre? Estamos entre as maiores economias do mundo. Somos uma potência na América Latina! Temos um território fantástico e riquezas por todos os cantos, todavia continuamos vivendo um profundo retrocesso nas políticas públicas. Não acredito que iremos evoluir em nossa estrutura econômica, enquanto as riquezas continuarem concentradas nas mãos dos 3%. É preciso que o sistema público administrativo evolua e construa menos abismos e mais pontes. O processo de corrupção somado a vida nababesca de nossas principais instituições é o início, o meio e o fim de toda nossa mediocridade. Precisamos iniciar o aquecimento de nossa economia anêmica por meio de linhas de crédito para o pequeno empresário e não para o latifundiário e grandes empresários. O BNDES precisa iniciar um movimento de linhas de crédito para o pequeno empreendedor, com intuito de iniciar um ciclo positivo em nossa estrutura que padece há mais de 8 anos. A recessão que nos acomete é fruto de uma política eleitoreira e irresponsável com aquiescência de todos os nossos tribunais. O Judiciário, o MP, o Legislativo, o Executivo, etc. estão perdidos e desalinhados com a real necessidade da sociedade brasileira. A Lava-Jato por si só não tem poder de romper com a lógica de poder. É preciso que cada um de nós, por meio de nossa indignação, construamos parlamentos menos viciados e contraditórios. A Política, infelizmente, sempre agiu às avessas: tirando dos pobres e dando aos ricos! O Estado Brasileiro sempre agiu de maneira inconsequente e inepta – sempre prevalecendo os negócios escusos entre empreiteiras e políticos. Nada escapa a fúria da síndrome de gafanhoto: uma política extrativista que tem nos mantido no rodapé da história…
Enfim, ainda não temos o que comemorar, a não ser a expectativa do amanhã… Como dizia a nossa grande sambista, que a força do tempo se encarregou de nos tirar, Beth Carvalho: o que será o amanhã, responda quem puder, o que irá me acontecer…
A liturgia Neoliberal e Keynesiana não nos pertence. Em toda liturgia, sempre existirá uma forma de poder ostensiva ou velada. Seremos sempre tratados como combustível do sistema; alimentando as elites do palácio em detrimento à sorte de quase todos! O jogo além de viciado é cruel. Pouco ou nada sobra da mesa e logo nos apossamos das migalhas num combate acirrado contra os ventos da fome… O lobo tem nos rodeado, aguardando o momento do jantar e pouco podemos fazer, porque falta-nos forças para impedir o ataque que se espreita. O bode que esta na sala de jantar será sacrificado, não para matar a fome do povo, mas para saciar a luxúria de nossos nobres. Todavia, nenhum reino sobrevive com a desgraça dos seus súditos: pão e circo ainda prevalece… Qual será o próximo bode?

Ainda que a força do mal aparenta prevalecer, nada é capaz de obstruir o desejo ardente à vida é à liberdade…

Ricardo André

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