RIO DE JANEIRO: A DESILUSÃO DE UMA CIVILIZAÇÃO…

(…)Boa parte da população do Rio de Janeiro também está órfã. Não apenas de uma infância que nunca teve, mas também do presente e, por antecipação, de qualquer perspectiva de futuro decente. Não há espinha dorsal de cidadania que aguente a sucessão de calamidades que tem se empilhado no cotidiano desse cidadão, sobretudo, quando a origem de tanto desperdício de vidas não é um ciclone. São horrores feitos pela mão humana, portanto mais cruéis e evitáveis.

Desta vez, junto com os dois prédios que se esfarelaram na comunidade da Muzema, no Rio de Janeiro, exauriu-se o tempo da esperança. Além das vidas ali soterradas, ruiu o que gerações de cidadãos tratados como dejetos supérfluos procuraram construir: uma vida melhor. Confinados à antessala da sociedade moderna, os moradores desse Rio rapinado há décadas formam uma massa de refugiados em sua própria cidade, perdedores de uma engrenagem social perversa.

Dorrit Harazim – O Globo – 14/04/2019

Este texto retrata a realidade contraditória em que vivemos no epicentro de nossas instituições. Nossa “Democracia” capenga e vacilante, a moda tupiniquim, tem nos colocado reféns de um jogo bruto, onde cidadania, justiça e decência passam longe. Os homens e mulheres que administram nossas terras foram tomados pela ganância e avareza, colocando vidas humanas a margem de qualquer debate. Estamos acéfalos, distantes de uma vida civilizada, visto que, nosso direito de ir e vir é cerceado pelo submundo do crime – desde o deputado eleito até os milicianos que coordenam os agrupamentos sub-humanos de nossa trágica história. Qual seria o processo de ruptura nessa história perversa, onde pobres são utilizados como combustível de nosso sistema ilusório e corrompido. Temos que resolver as questões históricas de VALONGO. Temos que deixar o discurso e ser mais pragmático quando o assunto for EDUCAÇÃO E RENDA. A pobreza forjada e cultivada nos laboratórios de nosso sistema político e social , com toda certeza, é um dos maiores óbices na construção de uma nação livre e civilizada. A política extrativista é oriunda da falta de pertencimento e cidadania. É um esquecimento profundo de quem somos e, com certeza, daquilo que pretendemos ser…

Não podemos contar com nossas instituições. O Judiciário já foi capitulado. De onde menos esperávamos surgiu a força das baionetas: O STF se levantando contra o direito de liberdade de expressão, utilizando do próprio poder para inibir os questionamentos da sociedade. Temos ainda nos interiores de nossas cidades juízes proibindo o Legislativo de investigar as ações do executivo. A judicialização por completo do sistema, coloca os togados acima do “Trono Celestial”, constituindo, assim, de forma inquestionável as distorções da estrutura democrática. A sociedade caminha agachada em suas ruas e vielas na tentativa de se desviar das balas perdidas desferidas por aqueles que deveriam primar pela segurança – o próprio Exército Brasileiro . Até quando continuaremos sendo vítimas de um modelo viciado onde a riqueza tem sua origem nos tratados escusos e horripilantes – produto de nossa forma de tratar os recursos públicos? A operação Lava-Jato incia-se com maestria e tem muita chance de terminar como comédia, onde os poderosos deixam a prisão pela porta da frente vestidos de terno Armani… É o Brasil… É a visão míope de nossas frágeis instituições… A quem interessa tudo isso? A delação premiada um interessante instrumento somado a provas materiais, infelizmente, tem servido para deixar impunes àqueles que saquearam o Brasil. Enfim, chegamos a conclusão que o jogo é muito mais complexo do que podemos detectar. O processo legal não pode ser reduzido a palavras soltas daqueles que lutam por sua liberdade! A delação premiada precisa ser mais pragmática e bem menos complacente com os seus delatores, caso contrário teremos uma grande chance da queda da REPÚBLICA…

Ricardo André

 

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