O Brasil caminha a passos largos para todo tipo de derrota institucional. Há uma força destruidora perpetrada por aqueles que deveriam cuidar da coisa pública. Vivemos dias de cerceamento, incertezas profundas e profusões de atitudes que sustentam a derrocada de nossa frágil democracia. A cada instante nossas instituições são apedrejadas pelo esmagamento da credibilidade. A falta de confiança e indiferença da sociedade têm constituído os alicerces fundamentais para que os ludibriadores tomem de assalto os setores mais importantes da política e da economia.

O Rio de Janeiro tornou-se um estado apático,ineficiente, violento e corrupto em todas as suas instâncias. O cidadão que mora na cidade do Rio de Janeiro perdeu seu direito de ir e vir. O sistema como um todo foi contaminado pelo maior processo, generalizado, de corrupção já visto e presenciado na história do Brasil. Os presídios cariocas representam o escritório do crime organizado. O envolvimento dos agentes de segurança pública com o crime, com certeza, tem sido um dos maiores óbices na construção do desenvolvimento econômico e do próprio estado de direito. O que fazer diante de tanta desordem? Não temos se quer força política do governo do estado. Infelizmente, o governador está completamente atordoado com a força dos acontecimentos, além de ter vivido ao lado do ex-governador Sergio Cabral, que assim, cria ainda, uma dificuldade bem maior na condução da política e da economia. Estamos vivendo momentos perigosos onde a intervenção representa a falência do Estado Democrático de Direito. Perdemos, na verdade, pela estrutura ilegal que tomou conta de todos os cantos da política – nada escapa à voracidade da corrupção. Enquanto isso, a miséria, o desemprego, o tráfico e a violência vem crescendo exponencialmente. Podemos cair na pior de todas as revoluções: a revolução da fome – a revolução da sobrevivência, onde a luta é por obter o que comer. A forma como foi conduzido todo processo de intervenção do Exército no estado do Rio de Janeiro pode ser o início e o fim de nossa decadência. O Temer tomou uma atitude voltada para a opinião pública sem nenhum tipo de análise e critério e o preço a ser pago por isso é a desmoralização das forças interventoras, ou seja, a saída do exército de cabeça baixa diante da capacidade e capilaridade do crime organizado do estado do Rio de Janeiro. A sabotagem, por parte das polícias Civil e Militar, vai ser um dos piores enfrentamentos das forças intervencionistas. A Polícia Militar e a Polícia Civil não irão colaborar com o rigor necessário, porque no final de tudo, serão tratados como incompetentes ou corruptos ou a principal base do crime organizado. Enfim, não acredito neste tipo de solução encontrado pelo governo federal. A situação do Rio de Janeiro é muito mais profunda e histórica. A formação das favelas tem seu início no processo de libertação dos escravos e da marginalização de toda esse gente durante toda nossa história. A desigualdade, o racismo, a educação de baixa qualidade e a fraqueza dos valores morais e culturais, com certeza, são os principais ingredientes dessa farofa à brasileira. Estamos diante de um dos momentos mais perigosos e frágeis de nossa democracia. Se a operação Lava-Jato não surtir os efeitos necessários para trazer de volta a legalidade nos meios políticos e empresariais, não tenho a menor dúvida que o Brasil descambará para toda sorte de crimes hediondos. Poderíamos perguntar quais foram os legados positivos da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Infelizmente, temos a seguinte resposta: nenhum! Somente a extorsão dos pobres e a corrupção exacerbada nas obras dos estádios e demais infraestruturas. É preciso que os culpados sejam presos, senão, não nos restará muito a fazer.
O Supremo Tribunal Federal perdeu seu brilho. Age pelo impulso das forças midiáticas e pelos acordos realizados em gabinetes escuros no submundo dos interesses pequenos. Quando a Suprema Corte de um país perde a LEGITIMIDADE, resta-nos muito pouco…

Tenho pena dessa juventude que encontrará apenas os galhos secos deixados pelos enxames de gafanhotos e pelas políticas extrativistas, que remontam ao século XVI.

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