2016 : UM MOMENTO DE INTERROGAÇÕES

O que iremos enfrentar? Estamos em um momento de tantas incertezas! Medo! Angústia! Desilusão! Inflação! Corrupção! Desemprego! A quebra do Estado Brasileiro! Quem ganha por trás deste caos instalado? Quais são as forças que nos impedem de ser uma nação livre e cidadã?

O homem-brasileiro movido pela busca enlouquecida por dinheiro deixou um rastro de destruição sem precedentes na história política. Vejam as estruturas de nossas escolas e de nossos hospitais… Não temos políticas públicas consistentes, além  da falta de homens preparados para tocar o Brasil. O vento que soprará sobre essas terras de Cabral será um verdadeiro tsunami, porque perdemos as melhores oportunidades no início deste século. Deixamos de cumprir o fundamental: educação e infraestrutura (ferrovias, portos, aeroportos, estradas, hospitais, etc). A crise que nos abate inicia-se numa visão megalomaníaca e termina na incompetência. A decadência moral de toda sociedade é o principal combustível da tragédia brasileira. Somos ainda um país destituído dos valores fundamentais que tem o poder de sustentar a democracia. Trocamos a essência por aquilo que não tem nenhum significado e logo, o sofrimento é o resultado de toda patifaria exercida em nossas instituições ao longo dos últimos 20 anos – para não voltar aos 500 anos de políticas públicas extrativistas. O Brasil faliu e com ele todos nós. A inflação é o sintoma mais nítido de que tudo deu errado. Por quê ? Simplesmente, porque trocaram a honra pelo ouro da luxuria.

As políticas macroeconômicas foram por demais equivocadas: não dá para utilizar política monetária isoladamente de uma política fiscal consistente, que priorize a capacidade de gestão do estado. O Estado eficiente é condição única para o desenvolvimento sustentável. Quando  a relação custo-benefício é negativa no processo administrativo, com certeza, haverá fragilidade dos pilares básicos da Economia.  Em outras palavras o estado brasileiro criou um passivo sem formação de ativos produtivos (não fizemos o dever de casa, agora amargamos pelas ações equivocas). O Brasil é um paradoxo em todos os sentidos, quando contesta as ações sociais como o projeto Bolsa Família e ao mesmo tempo paga aos banqueiros em torno de 500 bilhões por ano. Temos uma das maiores taxas de juros reais do mundo – em detrimento ao desenvolvimento da nação – por isso defendo uma política fiscal consistente,onde a otimização de recursos humanos, financeiros e econômicos sejam prioridades, entretanto, a lógica de nosso sistema político e partidário ainda permanece na idade das trevas – o toma-lá-dá-cá, tem sido um dos maiores óbices  na estrada do desenvolvimento. O Brasil continua perdido entre o passado e o presente, assim, não consegue perceber que caminho percorrer para chegar ao futuro promissor. Tenho tristeza quando vejo, claramente, a falência dos partidos políticos e da própria democracia. Vivemos entre ilhas de prosperidade, cercadas por oceanos de miséria. O sistema jurídico, legislativo e o próprio executivo estão muito aquém da realidade e das forças competitivas da era global. Continuaremos, sem sombra de dúvida, servindo como celeiro das grandes potências mundiais. O mais triste de tudo isso, que nossa identidade ainda não foi construída. Não sabemos quem somos, porque somos um pouco de cada nação, de cada povo, de cada gente e, logo, temos que nos apressar na formação de nosso caráter e cultura. A política adormecida e doente, não será capaz de dar o tom nessa grande orquestra. A realidade, triste e doentia, é que iremos passar ainda por grandes e profundas conturbações na nossa jovem democracia. O Congresso Nacional é um arremedo, uma realidade pecaminosa, porque trata os interesses nacionais como negócio próprio. A sociedade que sempre viveu à revelia da política partidária, continua elegendo aquilo que temos de pior, desde o analfabeto até o doutor mais preparado nas melhores universidades do mundo, mas, que não se importa com o sofrimento de sua gente.

Entregamos a nação brasileira nas mãos  de interesses duvidosos do modelo global, que nos impedirá de exercer nossa própria cidadania. O Brasil,um grande celeiro a céu aberto, não foi capaz ainda de ser o país do futuro, por falta de gente que soubesse pilotá-lo. Uma pena ver um continente com mais de  8 milhões de quilômetros quadrados, com riquezas de todos os tipos, sendo submetido as ações deletérias de entreguistas e bandidos. O FIM DO BRASIL É O FIM DE UM PROJETO QUE PODERIA TER SALVADO A AMERICA LATINA. NOSSA  TRISTE REALIDADE HISTÓRICA AINDA NOS ASSOMBRA E CONTINUAMOS REFÉM DA IGNORÂNCIA FORJADA EM NOSSOS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO… O BRASIL PRECISA, URGENTEMENTE, DEIXAR A SENZALA QUE O SUFOCA A TODO INSTANTE… Infelizmente, temos ainda o comportamento do cachorro vira-lata – cabeça baixa, autoestima aniquilada. O Brasil precisa de líderes comprometidos com o Brasil e ponto. Não temos em quem confiar o voto e, consequentemente, colocamos tudo a perder. O voto tornou-se uma mercadoria no período eleitoral – um verdadeiro leilão.

Não iremos resolver as coisas básicas de nossa sociedade com assistencialismo eleitoreiro, mas sim com Educação de qualidade. A Educação é a única forma de mudarmos a histórica tragédia brasileira. Enquanto, a pobreza for tratada como aleijão e um meio de chegar ao poder pelos políticos inescrupulosos, iremos amargar maus momentos. Temos que refletir sobre o mundo que construímos e a forma como conduzimos nossa gente. Ninguém mais acredita em promessas de campanha e muito menos nos políticos de plantão.

2016 deixará feridas profundas e muitas quase incuráveis. Percebo que estamos num momento de rompimento e mudança. A dúvida é que caminho iremos tomar… O que podemos esperar nos próximos 20 anos? Pobreza e desrespeito? Qual será o projeto alternativo? o PMDB é fisiológico demais para dar uma nova cara ao Brasil. E o PT perdeu toda legitimidade enquanto partido, pelo fato de ter feito tudo aquilo que combatia e ainda ampliou de forma escancarada a liturgia do Congresso Nacional. Estamos cercados de lobos e vampiros, dificilmente sairemos ilesos dessa confusão.

Precisamos de um projeto estratégico que contemple a sociedade de um modo geral e que esteja focado na ciência-tecnologia, numa política social justa e inteligente, caso contrário, continuaremos esperando o MESSIAS para resolver o plantio de erva-daninha feito por nossas próprias mãos nos campos produtivos… Uma nação se constrói com a vontade e comprometimento de cada um de nós… Não podemos mais delegar nossas responsabilidades.

RICARDO ANDRÉ

Economista e Pós-graduado em Ciência Política e Gestão Empresarial pela FGV do Rio de Janeiro.