LIÇÃO QUARTA 

 

O HÁBITO DA ECONOMIA 

 

Querer é Poder! 

 

O homem é uma combinação de carne, osso, sangue, cabelo e células nervosas. É com esse material de construção que ele modela, por meio da Lei do hábito, a sua personalidade.” 

Todo  mundo sabe que economizar dinheiro é uma das coisas essenciais para o triunfo, mas a grande pergunta que se faz a maioria dos que não economizam é a seguinte: “Como poderei fazer isso?”

A economia é apenas uma questão de hábito. 

É verdade que o homem, por meio dessa lei, forma a sua personalidade. Por meio da repetição, qualquer ato cumprido por nós, algumas vezes, se torna um hábito, e a mente parece então não ser mais do que uma massa de forças estimuladoras, originando-se dos nossos hábitos diários. Uma vez fixado na mente, o hábito impele voluntariamente o indivíduo à ação. Os oradores chegaram à conclusão de que o fato de contar repetidas vezes uma história baseada em pura ficção, faz entrar em ação a Lei do hábito, e logo esquecem se a história é verdadeira ou não.

AS BARREIRAS DE LIMITAÇÃO CONSTRUÍDAS PELO HÁBITO 

Se fixarmos na mente a ideia de que a nossa capacidade de ganhar dinheiro se limita a uma certa quantia, nunca chegaremos a ganhar mais do que isso, aceitaremos a limitação e, muito em breve,  sentiremo-nos mergulhados no medo da pobreza; as oportunidades não nos baterão mais à porta e, assim,  a nossa sentença foi lavrada, a nossa sorte decidida. A formação do hábito da economia não significa a limitação da faculdade de ganhar dinheiro significa justamente o contrário, isto é, que se aplicará a lei de modo a não somente conservar o que se ganha, de uma maneira sistemática, como também,  colocar na nossa mente oportunidades maiores, dando-nos visão, confiança em nós mesmos, imaginação, entusiasmo, iniciativa, e autonomia, para aumentar a nossa capacidade de ganhar dinheiro. Por meio da lei do hábito, a pessoa fixa na mente o propósito do seu objetivo definido, da maneira descrita na segunda lição, até que ele fique implantado de modo firme e permanente. Esse processo destruirá a consciência da pobreza, que será substituída pela consciência da prosperidade. Começa então a exigir prosperidade, a esperá-la e a preparar-se para recebê-la e usá-la sabiamente abrindo assim o caminho para o estabelecimento do hábito da economia.

Segundo, tendo dessa maneira aumentado a capacidade de ganhar dinheiro, fará novo uso da lei, estabelecendo por meio de uma declaração escrita o seu objetivo principal definido, para pôr de lado uma determinada quantia. Assim, quando o salário aumentar, a economia crescerá na mesma proporção. Exigindo de si um aumento da capacidade para ganhar dinheiro e, por outro lado, separando sistematicamente uma quantia certa do seu ganho, dentro em pouco chegará à eliminação de todas as limitações imaginárias do seu espírito e terá aberto o caminho para a INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA.

      Nada mais fácil de conseguir. Fazendo a aplicação da lei em sentido contrário, deixando que o medo da pobreza se apodere da nossa mente, cedo teremos reduzido a nossa capacidade de ganhar dinheiro, a ponto de não podermos ganhar sequer o suficiente para fazer frente às nossas próprias necessidades.

Os editores de jornais podiam criar um verdadeiro pânico, dentro de uma semana, bastando para isso encher as suas colunas de notícias acerca de falências comerciais, a despeito da pequena proporção de casos desse gênero.

As “ondas de crimes” são em grande parte produto do sensacionalismo jornalístico. Um simples assassinato, quando explorado pelos jornais, por meio de títulos escandalosos, basta para iniciar uma “onda” regular de crimes análogos em várias localidades. Depois que os jornais publicaram histórias de aplicação de injeções misteriosas, casos idênticos apareceram em várias localidades dos Estados Unidos.

Todos nós somos vítimas dos nossos hábitos, seja qual for a nossa situação na vida. Qualquer idéia deliberadamente fixada na mente, ou qualquer idéia que emitamos se fixe na nossa mente como resultado da sugestão do ambiente, da influência de associados, etc., levara-nos certamente a praticar atos de acordo. Forme alguém o hábito de pensar e falar em prosperidade e abundância e muito em breve evidências materiais começarão a manifestar-se sob a forma de novas oportunidades, mais amplas e inesperadas.

As coisas iguais se atraem. Se um comerciante se habitua a falar e a pensar que os negócios não vão bem, as coisas irão mal, de fato. Um pessimista, se o deixarmos exercer a sua influência durante muito tempo, pode destruir o trabalho de meia dúzia de homens competentes e conseguirá isso implantando nos espíritos a ideia da pobreza e do fracasso.

Em dezenas de milhares de lares, o tópico geral da conversa é a pobreza, e por isso, a maioria desses lares não obtém mais do que isso. Pensam em pobreza e aceitam a pobreza como o seu quinhão na vida. Julgam que, pelo fato dos seus antecessores terem sido pobres, eles permanecerão pobres também.

A ESCRAVIDÃO DAS DÍVIDAS 

A dívida é um senhor impiedoso, um inimigo fatal do hábito da economia. 

A pobreza, por si só, é suficiente para matar a ambição e destruir a autoconfiança e a esperança,  acrescente-se a ela a responsabilidade das dívidas e toda e qualquer vítima desses dois cruéis senhores estará inevitavelmente condenada ao fracasso. Sob o peso das dívidas, nenhum homem é capaz de dar o seu melhor no trabalho, ou de expressar-se em termos que infundam respeito, de criar ou levar avante um objetivo definido na vida. O homem que se deixa escravizar pelas dívidas é tão desamparado como o escravo limitado pela ignorância ou preso aos grilhões.

É terrível pensar em atravessar a vida como uma vítima, acorrentada inteiramente aos outros por dívidas. A acumulação de dívidas é um hábito. Começa-se de modo modesto, até que as dívidas vão assumindo proporções enormes, pouco a pouco, dominando inteiramente o indivíduo. Um homem escravizado pelas dívidas não encontra tempo nem gosto para formar um ideal, implanta limitações no seu próprio espírito, condena-se a viver agrilhoado ao medo e à dúvida, aos quais nunca escapa. Para evitar a infelicidade das dívidas, é pouco todo sacrifício que se faça. O homem que se endivida irremediavelmente, é uma vítima do medo da pobreza, perde a ambição e a confiança em si mesmo, mergulhando pouco a pouco na apatia. Há duas classes de dívidas, e tão diferentes em natureza, que merecem ser descritas aqui:

1. As dívidas decorrentes de coisas supérfluas e que se tornam um peso morto.

2. As dívidas feitas no decorrer de uma transação comercial ou profissional, que representam mercadorias ou trabalho, e que podem ser convertidas em ativos.

A primeira classe de dívidas é a que deve ser evitada de toda maneira, a segunda pode ser tolerada, uma vez que o devedor seja prudente e não se permita ir além de limites razoáveis. Desde o momento em que o indivíduo vai além desses limites, entra no campo da especulação, a qual antes devora as suas vítimas do que as enriquece.

O medo da pobreza destrói a força de vontade das pessoas endividadas, que ficam assim incapacitadas de restaurar a fortuna perdida e, o que é pior, perdem toda a ambição de libertar-se da escravidão das dívidas.

A pessoa que não tem dívidas pode afastar a pobreza e conseguir grandes sucessos financeiros, mas para aquele que tem dívidas, as realizações são apenas possibilidades remotas, e nunca uma probabilidade. 

O medo da pobreza é um estado de espírito destruidor, negativo. Além disso, tem tendência para atrair disposições de espírito semelhantes. Por exemplo, o medo da pobreza pode atrair o da doença e os dois o da velhice, de maneira que a vítima, que já é uma presa da pobreza, adoece e envelhece antes do tempo.

Milhões de pessoas têm encontrado uma morte prematura em consequência desse cruel estado de espírito. 

COMO DOMINAR O MEDO DA POBREZA 

Para se livrar do medo da pobreza, o indivíduo que tem dívidas precisa tomar duas decisões. Primeiro, abandonar o hábito de comprar a crédito e, em seguida, liquidar pouco a pouco os débitos já contraídos. 

Livre da preocupação das dívidas, estamos prontos para reformar os nossos hábitos mentais e redirigir a nossa marcha para a prosperidade. Devemos adotar como parte do nosso objetivo principal definido, o hábito de economizar uma parte certa do nosso rendimento, mesmo que essa economia seja apenas de dez tostões por dia. Muito cedo, o hábito se instalará na nossa mente, e sentiremos alegria em economizar.

Qualquer hábito pode ser abandonado e substituído por outro mais desejável. O hábito de gastar deve ser substituído pelo de economizar, pois isso contribuirá para que se alcance independência financeira. Não basta, porém libertar-se de um hábito indesejável, pois hábitos assim têm acentuada tendência para reaparecer, a menos que sejam substituídos por outros de natureza diferente. A perda de um hábito qualquer deixa um vazio na mente, e esse vazio precisa ser preenchido com outra forma de hábito, pois do contrário o velho ocupante retornará, e reclamará o seu posto.

O homem pobre está à mercê do que tem dinheiro. 

É isso um fato, seja qual for a habilidade que se possa, a educação que se tenha ou o talento natural de que se seja dotado. Não há, pois meio de escapar ao fato de que a maioria das pessoas nos julgará em grande parte pela conta corrente que tivermos no banco, quem quer que sejamos. Ao encontrar um estranho, a primeira pergunta que ocorre à maioria das pessoas é a seguinte:

“Será rico”? Quanto possui? ’ Se a pessoa tem dinheiro, é bem recebida em todos os lares e casas comerciais, e as oportunidades não lhe faltarão. Todas as atenções lhe são prestadas; é um príncipe e, como tal, tem direito às melhores coisas da terra; Mas, se é uma pessoa mal trajada, com as solas dos sapatos gastas, a roupa amarrotada, o colarinho sujo, e demonstra claramente sinais de pobreza, ai dele, porque a multidão lhe pisará nos pés, e lançará no seu rosto a fumaça do desrespeito. Estas afirmativas não são muito agradáveis, mas possuem uma virtude: exprimem a verdade!

A tendência para julgar as pessoas pelo dinheiro que possuem, ou pelo poder de controlar o dinheiro, não é confinada apenas a uma classe da sociedade. Todos nós temos um pouquinho dela, quer reconheçamos ou não o fato. Muitas vezes, acontece que um homem trilhe por muito tempo a estrada do triunfo, e, à primeira queda, nunca mais se levanta apenas porque não possui dinheiro para as horas de emergência. O número de falências por ano, devido à falta de capital reserva para as emergências, é realmente assombroso. Essa causa motiva mais falências comerciais do que todas as outras combinadas. Os fundos de reserva, são essenciais para a operação eficiente de qualquer negócio.

Do mesmo modo, as economias são essenciais para o triunfo individual. Sem fundos de economia, o individuo sofre por dois lados: primeiro, pela incapacidade de agarrar as oportunidades que aparecem apenas para as pessoas que possuem algum capital, e, em seguida, pelos embaraços que surgem numa emergência que exige dinheiro. Pode-se dizer também, que o individuo sofre ainda por um terceiro lado, quando não desenvolve o hábito da economia: ressente-se da falta de outras qualidades essenciais para o triunfo e que se originam da prática da economia.

O MEIO FÁCIL DO SEU DINHEIRO AUMENTAR 

A faculdade de ganhar dinheiro e  economizá-lo constituem uma ciência, mas as regras por meio das quais o dinheiro é acumulado são tão simples que qualquer pessoa pode segui-Ias. O principal requisito para isso é a força de vontade para subordinar o presente ao futuroeliminando as despesas desnecessárias, com coisas de luxo. Alguns indivíduos de visão estreita, pseudofilósofos, vivem a dizer que ninguém pode ficar rico economizando apenas alguns dólares por semana. Isso pode conter uma boa dose de verdade, mas o outro lado do caso é que a economia, mesmo de uma pequena quantia, coloca o indivíduo em situação tal que, muitas vezes, lhe dá vantagens comerciais que o podem encaminhar rapidamente para a independência financeira. É quase incrível que um homem com hábitos de vida razoáveis e moderados tivesse gasto, infrutiferamente, 47 mil dólares em pouco mais de dez anos. Mas isso pode acontecer.

Uma reserva de capital de 94 mil dólares, rendendo juros compostos, é o suficiente para dar a qualquer homem a independência financeira de que ele necessita. Quase todos pensam mais na maneira de gastar, negligenciando completamente o hábito da economia, e, qualquer idéia que frequenta a mente humana, sendo sempre bem recebida, volta a ela muitas vezes. Na verdade, o hábito da economia pode ser tão fascinante como o hábito de gastar, mas isso somente depois de se tornar um hábito bem arraigado e sistemático. Gostamos de fazer o que é sempre repetido, ou, por outras palavras, conforme descobriram os cientistas, somos vitimas dos nossos hábitos. 

O hábito da economia requer muita força de caráter do que a que desenvolve a maioria das pessoas, porque economizar significa também negar a si mesmo diversões e prazeres de vários gêneros. Por essa razão, o indivíduo que desenvolve o hábito da economia adquire ao mesmo tempo, muitos dos outros hábitos que conduzem ao triunfo; especialmente autocontrole, confiança em si mesmo, coragem, equilíbrio e a libertação do medo. 

QUANTO PODE UMA PESSOA ECONOMIZAR 

A primeira pergunta que surge é a seguinte: “Quanto poderá um indivíduo economizar?” A resposta não pode ser dada em poucas palavras, pois a quantia que alguém pode economizar depende de muitas condições, das quais algumas podem ser controladas, ao passo que outras não dependem da vontade da pessoa. Um analista experimentado já declarou que seria capaz de dizer, de forma muito precisa, examinando o orçamento mensal de um homem, que espécie de vida esse homem leva; além disso, tirará o máximo de informações do item “diversões”.

Todos os que fazem orçamentos de despesas incluem muitas vezes um item intitulado “distrações” que, na sua maioria, desfalcam tanto o bolso, como a saúde. Estamos vivendo numa época em que o LAZER ocupa um lugar de grande destaque na maioria dos orçamentos. Essas pessoas insensatas não somente gastam o dinheiro que podia constituir uma boa economia, mas, ainda, o que é pior, estão destruindo o caráter e a saúde.

Todos nós somos vítimas desse hábito! 

Infelizmente, quase todos nós somos criados por pais que não possuem a menor noção da psicologia de tal hábito. Inconsciente da falta que comete, a maioria dos pais auxilia o desenvolvimento do hábito de gastar, tolerando as despesas e esquecendo-se completamente de iniciar os filhos na pratica da economia. Os hábitos da primeira infância nos acompanham sempre por toda a vida. Feliz é, pois a criança, cujos pais têm a visão e a compreensão do hábito da economia, como construtor de caráter e o implantam desde cedo no espírito de seus filhos. É um exercício que produz excelentes resultados. Dê-se a qualquer homem cem dólares com os quais ele não conte. Que fará ele? Começará logo por cogitar sobre o modo de gastar o dinheiro. Uma infinidade de coisas de que não precisa lhe surgirão imediatamente no cérebro, mas podemos apostar, sem medo de errar, que não lhe passará pela cabeça – a menos que tenha o hábito da economia- a idéia de abrir com essa quantia uma poupança num Banco ou Caixa Econômica.

Para abrir uma conta-corrente num Banco ou Caixa Econômica e passar a depositar nela, regularmente, uma parte do rendimento de que se dispõe, é necessário ter grande força de caráter, determinação e energia. Há uma regra por meio da qual todo homem pode determinar, mesmo com antecedência, se desfrutará ou não da famosa independência financeira, coisa tão desejada por todos, e essa regra nada tem a ver com o rendimento da pessoa. Essa regra é a seguinte: se alguém seguir sistematicamente o hábito de economizar uma percentagem certa de todo o dinheiro que ganha, essa pessoa pode estar certa de que alcançará uma situação financeira independente. Porém se nada economiza, pode ter certeza de que jamais adquirirá independência financeira, seja qual for a renda de que possa dispor. ( Napoleon Hill – A Lei do Triunfo)

Sempre acreditei que somos o resultado de nossas escolhas temporais, ou seja, há momentos que precisamos ser disciplinados para renunciar o presente em busca de uma realização pessoal mais atraente no futuro, entretanto, é difícilimo assumirmos essa posição, porque a própria natureza das coisas converge para viver o aqui e agora. Somos impelidos pelo instantâneo e imediato. O corpo na sua própria natureza nos impulsiona a viver os prazeres do momento, porque amanhã poderemos estar mortos e, assim, muitos padecem mergulhados num mar de endividamento, impedindo que a vida tenha um curso tranquilo e aparentemente previsível. A dívida é uma cruz que muitos carregam durante toda vida e dessa maneira deixam de usufruir do próprio potencial enquanto pessoa, enquanto ser. O sistema irá o tempo todo nos motivar a viver o consumismo desenfreado, porque é dessa forma que a máquina do lucro é lubrificada. Hoje, somos bombardeados o tempo todo por todo tipo de mensagem com um único objetivo: tirar cada tostão trabalhado de nosso bolso. Somos tratados e perseguidos como  um coelho fugindo de seu predador. O único jeito de rompermos e mudarmos, de fato, a trajetória é dizendo um NÃO ao clamor do consumo desenfreado. Assim, poderemos conquistar autonomia e encontrar o caminho para a nossa verdadeira indepedência financeira.

Ricardo André – 18082012

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