Este texto foi cedido pelo meu amigo Evandro Luis Mello – contador e escritor . A forma e a escrita deste texto leva-nos a refletir que há pequenas histórias que não fazem parte dos grandes livros de história, entretanto, possuem significados sociais que nos permitem refletir as possibilidades. Evandro Mello, jovem escritor, com certeza, terá seu espaço em nossa literatura, pois apresenta a ideia de uma maneira suave, onde o leitor é levado  pela conjugação perfeita dos verbos e por uma bela dança de palavras, criando um mosaico inteligente, tanto na forma, quanto no conteúdo apresentado. Parabéns!

 

Os viajantes mais experientes dizem, com razão, que é possível encontrar um  brasileiro em cada esquina do mundo. Logo, encontrar um brasileiro nas esquinas inglesas não é tarefa  difícil. É até simples. Porém, encontrar um  prédio na prestigiada universidade de Oxford, no interior da Inglaterra, com  nome de um brasileiro já não é tarefa tão comum e, imagine então, se este  brasileiro for petropolitano, ou ainda, se este  brasileiro for petropolitano e ganhador do Prêmio Nobel de Medicina. Bem, ai já é digno de nota.

foi justamente isto que ocorreu, prezado leitor: descobri que um dos prédios da universidade da cidade inglesa de Oxford, uma das mais antigas e  conceituadas do mundo, foi batizado de Peter Brian Medawar; única pessoa nascida no  Brasil ganhadora de um Prêmio Nobel, com notável reconhecimento  no mundo  acadêmico  e tido como um dos maiores cientistas do século XX.

Antes, porém, de dizer acerca do ilustre cidadão petropolitano, deixe-me  anunciar que o Prêmio Nobel é um conjunto de prêmios anuais concedidos  pelas academias suecas e norueguesas a trabalhos científicos  ou artísticos  que  representam avanços importantes para a vida. Criado  em 1895 por Alfred Nobel, o prêmio representa a consagração mundial para os seus laureados, não somente pelo valor em espécie, oito milhões de coroas suecas (cerca de um milhão de dólares), mas, sobretudo, por tratar-se  do mais importante reconhecimento acadêmico nas áreas de Economia, Literatura, Medicina, Química e Física, além do Prêmio Nobel da Paz.

Peter Brian Medawar nasceu em 28 de fevereiro de 1915 em Petrópolis, no  bairro do Caxambu, onde morou até os quinze anos de idade quando se mudou para Oxford, na Inglaterra, para estudar biologia e zoologia na  Magdalen College  da Universidade de Oxford. Filho de ingleses, Peter tinha a nacionalidade britânica e brasileira, mas a brasileira ele perdeu, segundo  informações,  em função de pequenas questões burocráticas com as  autoridades brasileiras da época; motivo pelo qual o prêmio foi contabilizado  para a Inglaterra e não para o Brasil.

Inicialmente, Peter trabalhou como assistente de outros pesquisadores  e  tornou-se, em 1947, professor  da Birmingham University, quando avançou em sua pesquisa acerca da tolerância em transplantes de tecidos. Durante  a Segunda Guerra Mundial, Peter realizou com sucesso enxerto de pele em feridos  por  queimaduras, confirmando sua tese de que  a rejeição dos tecidos pelo corpo  humano é uma resposta imunológica e não uma questão hereditária como se  acreditava antes.

As descobertas na área de tolerância  imunológica do pesquisador  petropolitano proporcionaram grandes avanços nos transplantes de órgãos e tecidos, pois ajudaram o combate dos efeitos causados pela  rejeição do corpo dos  transplantados. Em 1960, Peter ganhou o Prêmio Nobel  de Fisiologia/Medicina junto com o imunologista Frank M. Burnet e foi  agraciado com o título de Cavalheiro Britânico em 1965 e com a ordem  do mérito  em 1981. O pesquisador  foi diretor  do Instituto Nacional de Pesquisas Médicas de Londres, professor da University College e presidente da Royal Postgraduate Medical School e morreu em outubro  de 1987.

Portanto, fino leitor, em tempos atuais de intolerância de toda ordem, este nobre brasileiro concedeu lições de tolerância que podemos aproveitar  muito além da Ciência  Imunológica e a Inglaterra já reconheceu isto. Será que  nós, petropolitanos, demos o devido reconhecimento a Peter Brian Medawar? Pense nisso.

EVANDRO LUÍS MELLO

Contador e Escritor

 

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