Nesta crônica tratarei da engrenagem perfeita da mentira bem contada. Somos conduzidos, de forma inteligente, pelo sistema midiático e pelas forças invisíveis do poder. Nada do que vemos é real. Os bastidores podem nos revelar muito e muito mais. Há intenções que desconhecemos, tanto na política, quanto no poder das grandes corporações mundiais. A exploração e a alienação são gêmeas siamesas, caminham e convivem num  só corpo. As liturgias institucionais tem o objetivo clássico do lucro pelo lucro e, assim, o ser humano é colocado como meio e peça da  engrenagem – nada mais.

O que fazer? Como romper com a escravidão velada e a mentira bem contada? Por meio de muita educação, poderemos mudar a realidade contraditória da pobreza institucionalizada. Na verdade, a pobreza é o principal combustível de muitas riquezas construídas desdes os tempos mais remotos. A mesa é farta, mas não é compartilhada.

Os objetivos das grandes potências  é manter as nações subdesenvolvidas  dependentes de suas tecnologias e assim, são  exploradas de forma escancarada pelos detentores do capital intelectual. Por que o Brasil continua sendo triturado pela corrupção desenfreada? Os partidos políticos não tem legitimidade para cuidar do Brasil, porque transformarão de maneira deliberada a Política num perfeito balcão de negócio. Enfim, a construção deste país ainda é feita por sangue de muita gente inocente. Não valorizamos a cidadania, dessa forma a Democracia agoniza em um oceano de lama. No final de tudo, sabemos que o problema é moral. Os valores das elites empresariais e políticas representam a principal doença a ser combatida. A América Latina como um todo, ainda é um celeiro do mundo desenvolvido. Não acredito que iremos mudar a realidade elegendo pessoas descomprometidas com a sociedade e sem capacidade filosófica e técnica para gerir as questões políticas. A mudança precisa ser iniciada no seio familiar, na construção de valores e mais a frente, necessitamos combater com todas as forças as injustiças sociais motivadas pela corrupção. O Brasil não é uma democracia de fato. Estamos ainda em estágio embrionário. Falta-nos consciência social e educação de qualidade.

Por que não acredito em nossas instituições e nas elites brasileiras? Simplesmente, porque não vejo brasilidade e convicção nas ações das respectivas instituições que constituem a base estrutural deste país. O tripé da democracia brasileira encontra-se doente (Judiciário, Executivo e Legislativo). É impossível construir uma nação livre e cidadã, enquanto a sociedade viver amordaçada e enganada por seus dirigentes.

O que fazer para sair dessa areia movediça? Primeiramente, educação de qualidade e recuperação dos valores familiares. Estes dois pontos são cruciais para encontrarmos o caminho de casa. Não vejo soluções imediatistas, de curtíssimo prazo, porque ainda temos uma população semi-analfabeta e com grandes dificuldades técnicas, ou seja, baixa qualidade tecnológica. Não temos força suficiente para competir globalmente, devido a péssima estrutura educacional. Nossas universidades encontram-se abandonadas, quando não, incapacitadas de prestar um bom serviço. A classe política perdeu totalmente a vergonha, gerando uma aversão na população, quando o assunto é política. E, ainda, vivemos um dos piores momentos da democracia brasileira: corrupção generalizada e perda total de legitimidade de nossas instituições. Os partidos políticos não possuem nenhuma estrutura orgânica, servem apenas como passaporte para a construção de candidaturas e na outra ponta, temos uma realidade social empobrecida, com baixa autoestima e extremamente arredia ao processo político-eleitoral. Na verdade, ainda votamos muito mal e participamos bem pouco das questões públicas. O voto é de baixa qualidade.

Chego a conclusão que estamos no fundo do poço e precisamos  encontrar a saída, entretanto, falta-nos líderes capazes de mobilizar a sociedade e gerir o estado brasileiro. O grande apagão da nação é de  cunho cientifico e tecnológico, falta-nos capacidade tecnológica no processo competitivo do século XXI. Precisamos reaprender a conviver com as novas realidades deste mundo digital. Até quando ficaremos deitados eternamente em berço esplêndido?  Chegou o momento de encontrarmos  uma solução dos problemas que nos impedem de transformar a potência brasileira em riqueza para todos. Nossas instituições colocaram o Brasil à deriva da realidade das grandes potências, tudo isso, porque rifaram a soberania nacional e fizeram da política somente um meio de enriquecimento. A rigor, podemos chegar a seguinte conclusão: o Brasil é um país que ainda permanece no modelo extrativista- colonial, cuja sua principal função é abastecer as grandes potências globais com matérias-primas de baixo valor agregado, as famosas commodities. O nosso nióbio é doado para o mundo, além de diversos outros recursos como minério de ferro,  madeira, etc.

Para mudarmos a realidade contraditória desta nação, não podemos esquecer que precisamos da sociedade como um todo. Enquanto, o Brasil mantiver uma grande parte da sociedade em gaiolas de ferro, estaremos condenados ao  subdesenvolvimento e a pobreza eterna. É preciso mudar. Mudar a partir do comprometimento de todos com  as causas nacionais. Precisamos romper os grilhões da escravidão ultrapassada que ainda não deixou o território brasileiro. No final, sabemos que nossas instituições alugaram suas consciências e nos jogaram nas senzalas espalhadas por todo esse imenso continente. Enfim,  EU NÃO ACREDITO EM NOSSAS INSTITUIÇÕES, PORQUE ELAS, SIMPLESMENTE, MENTEM. A liturgia do poder tem somente um objetivo: explorar cada vez mais àqueles que nada  tem para ser tirado. Uma escravidão velada e doentia é forjada  no topo do poder. Não vejo uma solução de curto-prazo. Eu não consigo ver… Eles querem apenas dinheiro pelo dinheiro e poder pelo poder, o resto são apenas palavras num discurso politicamente correto. Eu não acredito nas instituições brasileiras… Porque elas estão a serviço  de interesses distantes da população, interesses extremamente duvidosos… Interesses configurados nas salas de reuniões das grandes potências mundiais. A quem serve e serviu a globalização? Com certeza, menos aos pobres e mais aos ricos…

No fim de tudo, sabemos que cada palavra pronunciada por nossas instituições tem como objetivo máximo: ludibriar um povo desatento e domesticado. É preciso que acordemos e assumamos o leme de nossa história… É preciso…

“Brasil mostra sua cara, quero ver quem paga pra gente ser assim. “

Ricardo André

Economista e Pós-graduado em Ciência Política pela ADESG, Pós-graduado em Gestão Empresarial e Finanças Corporativas pela Fundação Getúlio Vargas do RJ.

 

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