Lendo o livro do Cabo Anselmo, fiz algumas reflexões sobre sua vida e suas análises. Viveu um momento de luta na esquerda revolucionária e, assim, conheceu a realidade cubana e a forma que Fidel Castro administrava a Ilha, além de experienciar as ações de Che Guevara. No fim de tudo, Cabo Anselmo acaba retornando suas origens, forçadamente, e  volta para as forças armadas como delator do movimento revolucionário  contra a ditadura. O que percebi ao longo do livro foi a vida louca que muitos estudantes e ex-militares, como Lamarca, viviam. A clandestinidade deixou marcas indeléveis em todos aqueles que viviam na guerrilha na tentativa de derrubar o governo militar. A conclusão que o Cabo Anselmo chegou é muito interessante. Vou reproduzir dois parágrafos do livro que me chamou atenção:

” Hoje, podemos  identificar  os beneficiários das políticas educacionais segregacionistas com nomes, RG, CPF e ramo de atividades – um grupo de famílias que controla a economia do planeta, desde muito antes da Revolução Francesa, divisor de águas e início do processo de fomento do terrorismo  internacional, instrumento de medo continuado para submeter os povos a globalização econômica.

Para esses, esquerda, direita, socialismo, democracia ou qualquer forma de governo ou crença não tem o menor sentido. Os que mantem todas as nações endividadas no curral do sistema financeiro internacional, ditam as regras e permitem  algumas liberdades que  lhes sejam  convenientes. Adquirem a preço de banana grandes áreas do planeta para a exploração de minérios estratégicos, produção, industrialização, comércio, logística de armazenamento, transporte, turismo, serviços e comércios, tudo a título de redução  de dívidas contraídas pelos  governantes dos países  menos desenvolvidos. Fazem um discurso cínico em relação ao crime organizado ,que fingem  combater, quando, na verdade, são parceiros.

Instrução pública insuficiente no campo  e nas cidades. Conteúdos escolares obrigatórios, carregados de doutrinação ideológica e informações distorcidas, freando a aprendizagem para pensar livremente.”

A minha análise do texto acima é a seguinte: o poder não deixa espaços vazios. A estrutura instrumental do poder global tem aniquilado diversas culturas mundo a fora. A identidade local está sendo sucumbida pela força  da mega produção global, onde quase tudo é chinês. Estamos diante de uma realidade planetária, cujo objetivo maior é a expansão de mercados das respectivas empresas globais, que comandam o fluxo de capital. A independência econômica, hoje e ontem, sempre foi relativa, tendo em vista, que os governos perderam o poder de suas moedas, abrindo mão da política monetária, haja vista a economia europeia que mantem uma só moeda- o Euro . Por trás de toda essa estrutura há uma lógica de poder e lucro. No nosso caso a força de nossa moeda é comandada pelo Banco Central que sofre enormes influências do mercado financeiro. Só por uma questão de exemplo, o Brasil paga mais de 350 bilhões de juros da dívida interna ao sistema bancário. O Bolsa Família custa em torno de 25 bilhões de reais. O superavit primário tem como objetivo único, sinalizar para os mercados que os juros dos empréstimos serão honrados. É um deboche com a sociedade brasileira. Enquanto, a caderneta de poupança paga 0,7%, os cartões e o cheque especial ultrapassam os dois dígitos, cobrando mais de 10% ao mês. Algo surreal. É uma afronta contra todos os brasileiros que trabalham para ganhar em torno de  um salário e meio. Eu acredito, sem sombra de dúvida, que todo o sistema é manipulado por essas grandes organizações nacionais e internacionais para elevarem suas margens de lucro. No fundo sabemos que somos ludibriados por grupos que não têm a mínima sensibilidade com aqueles que vivem em situações de risco. O Brasil vive um comportamento “Hobin Woodiano” às avessas: tiram dos pobres e dão aos ricos. É o ciclo perfeito da pobreza – acumulação de riquezas sem produção, apenas com movimentos abruptos das respectivas taxas de juros. A nossa pobreza é constituída em laboratórios de nosso sistema monetário. O Brasil precisa de brasileiros; precisa de cidadãos que queiram construir uma sociedade justa e educada. Somos ainda uma nação emergente pela força do poder do mundo globalizado. As grandes potências impedem o desenvolvimento brasileiro, porque querem evitar, de todas as formas, a concorrência de poder na América Latina.

As guerras são travadas com finalidades totalmente diferentes do senso comum. O objetivo maior é vender armas e construir países arrasados. Essa é a realidade em que todos os países, que não possuem a bomba atômica, estão  Submetidos ( a qualquer momento, qualquer país que não faça parte dos que tem o poder atômico pode ser invadidos por “N”s desculpas. Podemos perder o direito de gerir a Amazônia caso a ONU junto com as potências atômicas assumam essa posição. O Brasil, como quase todos os países emergentes, encontra-se com sua soberania ameaçada pelos interesses internacionais. O Brasil possui um imenso oceano de riqueza, desde o nióbio até ouro e prata, além da maior biodiversidade do mundo. Essa riqueza que se encontra na região norte é estudada e esmiuçada por diversos países e muito pouco pelo Brasil.

Não temos força e estrutura de persuasão contra as ameaças externas e, assim, tornamo-nos um país sem força política no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Falta-nos uma cadeira neste instituto, que decide quem vence e quem perde…

Qual é a melhor saída para transformarmos essa realidade pobre deste imenso continente? Educação. Ciência e Tecnologia. Sem Educação de qualidade estaremos condenados a viver como serviçais das grandes potências globais, que irão continuar com as rédeas de nosso país em suas mãos.  A Educação é a única forma de construirmos jovens e adultos com capacidade de liderar e conduzir o Brasil. O desenvolvimento sustentável é o resultado de ações planejadas e inteligentes no campo do desenvolvimento humano (educação, qualificação, capacitação). Todavia, a corrupção e a decadência moral de quase toda sociedade criaram muros  intransponíveis no processo de mudança. Somos vítimas de nossos próprios dirigentes… Somos vítimas da ignorância plantada e regada em todo território nacional. A pobreza e a ignorância, têm sido a fonte de lucros exorbitantes em muitas organizações deste país. Somos vítimas de uma política perversa que nos trata como gado humano. No fim de tudo, sabemos que somos peões nesse tabuleiro da geopolítica internacional . Não temos líderes, não temos homens e mulheres suficientes para romper com as piores consequências da corrupção instalada na engrenagem política brasileira. Somos reféns de nossa própria ignorância… As palavras vazias e ações assistencialistas  são paliativos que não tem o poder de mexer com as colunas centrais de nossas instituições.

Os partidos políticos não representam nada. Não têm legitimidade para conduzir os anseios da sociedade. A reforma política nos moldes que foi apresentada é uma pilhéria de mau gosto. Chega ser deprimente a forma como Brasília vem tratando as questões “macro” tanto na política quanto na economia. A falta de diretrizes e aplicação de forma ótima dos recursos públicos  contribuem com as expectativas negativas.

Nossa realidade institucional é incapaz de realizar as mudanças que tanto o povo brasileiro deseja. Muitos vão me criticar por ter retirado o texto acima do livro do Cabo Anselmo, que hoje é ainda exorcizado pelos militares quanto pelos  políticos  que estão no poder.

Eu não acredito mais em ideologia, na luta por mudanças de nossos políticos. Não acredito que a mudança surgirá por meio de  parlamentares e governantes. Com certeza, a mudança ocorrerá quando, cada cidadão, neste país, compreender a responsabilidade da Educação, do Voto, e da Cidadania, enquanto isso não ocorrer,  continuaremos amargando   o sofrimento produzido pelo peso da ignorância. O problema do povo brasileiro é moral. Nós somos permissivos demais, aceitamos quase tudo de maneira muito pacífica. Tratamos a política como coisa de bandido, logo, sentimos a dor pelos resultados das ações deletérias do estado brasileiro… É muito triste perceber que estamos caminhando na direção errada. Que ainda somos conduzidos por interesses do mercado internacional. Que ainda não deixamos o sofrimento das senzalas, que ainda nos mostra, claramente,  os desafios que ainda precisamos suplantar… A pobreza no Brasil tem cor, tem endereço e tem história. Os filhos da senzala continuam ainda presos nas senzalas ideológicas de uma minoria, que tem por meta acumular e acumular em detrimento à vida, à cidadania e ao desenvolvimento sustentável. Somos uma terra que parece que aguardamos a Lâmpada de Aladim… Estamos perdidos sem saber para onde ir e o que fazer diante de tantas barbaridades no trato com a coisa pública…

Parafraseando Cazuza: Brasil, mostra sua cara, quero ver quem paga pra gente ser assim…

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